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Montag, August 31
Senhôr T.
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Sonntag, August 30
um outro.
Desde então, temos dissipado os gelos diários com o calor dos nossos toques diários.
Mittwoch, August 26
Sobre açougueiros.
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Aqueles bolsos de antes não cabiam mais aqui, sinto que de certa forma enfiei sacos vários de todos os tamanhos num buraco menor que uma cárie de dente. Olho as pessoas ao redor e simpatizo-me por suas histórias – por mais obscuras e irreais que possam ser para mim. O açougueiro, outro dia, olhou com os olhos graves para mim, e foi desfiando a carne devagar. É pulsão de morte isso de ficar dias e anos desfiando carnes, pesando-as, preparando-as para banquetes diários? O açougueiro seria assassino se a sua lâmina não cortasse as carnes dos animais? Às vezes imagino-me como uma grande vaca a ser demarcada e cortada. Esse dia quase pedi para que ele, cuidadosamente, usasse de sua faca para me fazer alimento. Farta estou dessas insanidades do pensamento, isso de me pensar fragmentos, áreas, limitações – isso de querer ser menor, uma agulhinha talvez, pontiaguda, a traçar as áreas menores desses sem-nome, dessas frações, frações e segundos frações e misérias. Deu me perceber bem menor que a bunda de um camelo pelo deserto, de habitar seu cu. Isso de construção a partir do engodo, a partir dessas minhas lascas marcadas a formão pelos meus dedos. Preciso contar ao mundo que existo, que posso riscar também, apesar de não estar afiada. Necessito do corte preciso de alguém por essas bandas, me chacoalhando, dando um tapa bem forte na minha cara.
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Donnerstag, August 20
Lápis nos dedos, vamos lá.
Mittwoch, August 19
às voltas com.
Ontem eu caminhei nessas terras áridas, azuisclaras. Tínhamos nos tocado, ele com as mãos laçadas nas minhas costas, um suor frio percorria as nucas daquele povo e a nossa. Quis tocar algumas rugas, talvez me aproveitar delas, visão romântica do sofrimento alheio. Achei arrogância demais aquilo e me mantive distante. As realidades não se cruzavam, por mais que eu quisesse, forçasse a entrar naquilo.
Eu que desejava ansiosamente provar do veneno alheio, descobri-me sem janelas, portas, nada que fluísse. Um marasmo sem fim. Meus pés pouco caminhados percorrendo os quilômetros lineares de fé não-calambeantes no solo seco, infértil, pobre.
Nada a pingar por aquelas regiões. A água, pouca, evapora já nas primeiras horas da manhã. Água não protegida, enlamaçada. Se quer se alimentar, que também se suje. Juntaram algumas águas nos meus olhos, essas salgadas e escassas. Juntei-as nos meus dedos, por entre um suspiro e outro. Uma daquelas meninas descalças, desajeitadas, com plantas nos cabelos, voltou-se para mim sorrindo: ' dona, a gente chama essas águas caídas do corpo de pérolas; a gente não se envergonha disso não, nem recolhe nos dedos. A gente deixa cair forte no chão e ela espalha, fraca e úmida'.
Ontem, repito, visitei terras áridas de solo, umas rachaduras por entre os pés, vãos da falta. Nos desenhos das palmas da mão, repito. vi centenas de linhas de fé enroladas, juntas, sobrepostas, com a razão faltante e a generosidade nos olhos de quem só pode ser um gigante, um mestre da difícil arte de SER.
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Sonntag, August 16
Talvez zonza.
Ainda antipática.
Um dia meio ruim hoje, um quê de superficialidade.
Isso me irrita. Como resolver isso?
Queria pegar aquela mulher e torcer o pescoço dela.
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A gente tem muitas maneiras para resolver o vício.
A gente pode matá-lo.
A gente pode vencê-lo,
a gente pode ainda estendê-lo a alguém.
Mas a gente não consegue fingir que ele não existiu uma vez.
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Antesdonte eu tava com uns troços meio loucos
por dentro da minha carne,
aí eu resolvi aceitar aquilo por um instante só.
Vixe Maria, acho que eu me fodi um pouco,
o negócio começou a crescer dentro de mim e
de repente eu tava tomada de assédio e
solidão - uma ruptura muito forte no
meu coração, esse físico,
nada dessas canções de coração do
Roberto Carlos,
acho isso piada pra boi dormir.
Mas voltando à historiazinha,
aí eu comecei a gritar:
' O seu moço da esquina,
me dá um pouco de gelo,
preciso esfriar um pouco esse
peito ardente'
Ele me respondeu:
'Pra mal desses tipo, dona,
a gente não usa gelo não,
não se serve disso'
E me indicou uma curandeira lá no alto, uma
que existia a pouco aqui nessas terras sudestes.
Uma tal de Dona Leta.
Fui lá, já cansada do meu coração - veja bem,
coração físico - em chamas.
Dona Leta me encarou, olhou bem nos meus olhos
e disse:
'Esses mal já atingem o homem há muito tempo,
é coisa do homem superior,
o homem com H,
aquele que sempre está lá,
ele encheu nossa estrutura de um monte de coisa
doída, enferrujada já na origem.
Vocês procuram a gente porque não sabe,
porque não tem bula das vivências,
e são meio caolho,veja bem moça'
Ela pega meu queixo e leva bem próximo a boca dela,
um hálito insuportável,
você tem o cheiro das madama que eu encontro por aí,
que maquia tudo,
você precisa sentir o próprio cheiro,
senão não consigo dar jeito'
Achei aquilo meio bizarro,
o que tinha o meu cheiro a ver com as palpitação do meu peito?
Pedi a Dona Leta que me desse remédio,
que me benzesse,
rezasse.
'Carece disso não, moça
Tem uns mal que o lá de cima ri,
e no seu caso ele gargalhou'
Fiquei espantada.
Ela logo emendou:
'E chega de tentar decifrar o mistério.
Vai pra sua casa e lava bem essa cara
com alecrim e manjericão'
Naquela noite, usei de todos os meus artifícios,
não adiantou nada.
No fim das contas, passei um creme com óleos
essenciais de alecrim e manjericão para limpar a cara.
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