Samstag, Dezember 19

oui oui.

Hoje letras fogem aos dedos, prometi, fiz pacto comigo mesmo - preciso continuar, minha garantia de sobrevivência. Queria te contar uma história digna, falar das minhas impressões cotidianas, minhas poucas filosofias, dedicar-lhe meus sóis de verão, mas você bem vê, manter-me viva é a maior tarefa que tenho agora. Necessidade de continuar, preciso pôr para fora verborragias vômitos engasgos (os centenas só das últimas semanas). Convivências poucas e leves me foram tão raras - sentia o abraço da pessoa.
Ontem fez ciúmes na outra fazendo-me carinho. Percebi egoísmo pensando - não, não faria por gratuidade, tem haver sempre ganhos relação troca pessoa-pessoa. Satisfaz carências carências de covardia na vida disfarças ser bem-resolvido, até pode achar fugir dos outros e assim fugir de você, mas a merda é que Camila percebe e disfarça - não conheço nada.

Sonntag, Dezember 13

zeladora.

Hoje, de perfil, vê seu rosto refletido nos olhos dos outros. Sente nojo do que se passa no de dentro de si e talvez no de dentro do outro. Sabe sim, sabe sina maldita essa que a acompanha quiçá tivesse pensado em um agrado em um desinteresse olhar descompromissado, derramar seu corpo sujo e pesado num abismo escuridão - já estivestes lá tantas vezes, o porco dos dias, porque não visitar novamente?
Não sei, de fato, pensar nessas loucuras que nos cobrem turvam o brilho opacidade, sempre gostastes de aparentar-se neutra, qualidades sobrepostas nas roupas tentando esconder o algo de divino o algo templo o algo coberto de tantas agonias, por deus, tantas cascas quinas encontros esconderijos entulhados abarrotados de coisas tem a sensação de que se furasse forte a barriga tudo espirraria, todo aquele líquido mórbido do caminhar dos dias, as suas sujeiras, o seu macado disse ordenou-lhe: por favor, manda-me enxotar todos os seus podres acumulados, todas essas pedras que faz questão de arrastar por cima de si, aposenta esses teus vícios, o passado precisa ser enterrado, querida, chore um pouco, faça um bem para si pelo menos uma vez, uma vez é preciso um a mais sei que estás exausta e não consegue dormir há dias como dormia antes, as coisas mudam, meu bem, provavelmente serás uma velha rabugenta se me deixares aqui empoeirando, peço que me dê aval de ação.
O senhor contou-me depois, olhando-me fixamente: o mundo não precisa habitar tão dolorosamente você. Sinta o leve do bater a água quebrar pedras ou jogue o mundo fora, se quiser posso ajudar-te nessa tarefa, posso apoio um tiquinho de água no deserto e só, o resto é com você, não posso interferir no seu mundo.
O meu mundo não é universo, é fechado, cercado ilusões essas que brincam e se fazem sérias derepente. Cubro-me de respiros esdrúxulos para evitar o sufocamento. Causa mortis - pensaste demais, meu bem, agora é seu corpo lá embaixo e vamos passear um pouco, conhecer o mundo sofrimento tantos desastres agonizos - mostras-te me o agonizo das pessoas do mundo naquele minuto. Um jovem gritou - pá. Um velho sorriu um pouco e foi fechando o olho devagar. Um senhor pediu socorro - encarava-se frente a frente consigo não tinha mais mulher nem filhos nenhum álibi - solidão de morte. Tantos piscavam, uns morriam vendo o céu, queria te amar muito agora, sabia? Gostaria eu mais forte menos frágil - acho que essas madrugadas têm me deixado um pouco zonza e fragilizada. Agora o inferno é estar enfrentar as fraquezas não tenho mais desculpas, acabaram-se todas, é fim de festa, não resta mais nada para ser no lado de fora, é juntar os restos e aproveitar as migalhas. Como é isso de construir paredes eu não sei, tantas coisas por saber, ignorâncias, os pecados por purgar, não sei de que deus eu falo, não sei dos meus afetos, meus amores, minhas paixões. Eu te sofri e enfiei nos buracos pregos redondos médios normais juntei um pedacinho de sua casa desabando. Tentei evitar suicídio de individualidade mas ela já começa a feder um pouco. De novo: passando com o rolocompressor eu lá embaixo tens medo de suicida mórbida de boutique ou pensas que isso é verdade? Nada sei do gozo do cotidiano, dos prazeres de massas, sempre em minhas costas o peso do rolo. Caminho um pouco, paro e deixo-me esmagar. Assim foi minha vida toda, interessante eu estar aqui cinco e quinze da manhã estar com você estar ausente sempre ausente há anos eu pergunto, trombo com pessoas algumas mais outras nada paro e rolocompressor fico estatelada, respiro um pouco e depois sigo caminhando, um pouco mais manca, devagar, descrente. Essa eufórica não sou eu eu não sou só desesperos e risos preciso de sensibilidade e aviões internos.
Meu nome quer dizer assistente de cerimônias religiosas.


Donnerstag, Dezember 10

Canção IX - um afago dedicado à mim mesma,


 rosângela rennó
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Tenho meditado e sofrido
Irmanada com esse corpo
E seu aquático jazigo

Pensando

Que se a mim não me deram
Esplêndida beleza
Deram-me a garganta
Esplandecida: palavra de ouro
A canção imantada
O sumarento gozo de cantar
Iluminada, ungida.

E te assustas do meu canto.
Tendo-me a mim
Preexistida e exata
Apenas tu, Dionísio, é que recusas

Ariana suspensa nas suas águas.

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à tumba.

Amém. Atrás de todos os deuses estou aqui e lhe imploro: saia de mim um pouco, não aguento mais essa afetação no meu peito, peço que me abandone, você sabe o que acontece comigo e com você, porisso peço novamente, deixe-me um pouco a sós, eu não suporto mais ver você e a minha fraqueza em dizer-lhe minhas boas novas meu medo em gritar o acontecido em mim esses tantos sentimentos que me povoam pés e cabeça e arrepios dor prazer por favor, esqueça-me um pouco, esquecer-me-ei olhares no espelho e a ti darei meu luto, dedicar-lhe-ei meus póstumos epitáfios plantarei capins emvolta de mim para poder pastar a vaca o boi e a galinha ciscar. Terás proximidades e o azul-claro do céu nunca entrará no meu caixão por ter quilos de terra sobre o meu corpo.

Mittwoch, Dezember 9

sacos e pães


                                                                    diane arbus

Os sacos de pão na cabeça inspiram-me agora algumas poucas fracas palavras talvez elas grudem um pouco sejam difíceis de limpar, está bem, lhes darei fôlego.
Justifiquei meu mal para um assassino - devolveu-me as pedras, ensinou-me a fingir um pouco, há, gargalhei e saí correndo. Cansada fiquei e recostei numa pedra cinza-chumbo fodida de linda fechei os olhos um pouco irritada estava queria moer as goelas daquelas tagarelas voz de sabão escorregadio e chato. Alguma coisa mudou - constatei. Queria ir pra casa, compreendi o que mamãe sempre me falou: fica quieta no canto pra não ter de engolir desaforo. Não tenho medo de desaforos mas é o cansaço mesmo, sabe? E a vontade imensa de escrever e embalar-te nos seios coragem para muitas outras coisas é preciso, coragem em relação ao outro. Agora escuto e uma ponta de inveja, desço e deito mais o corpo na pedra, cabeça nas nuvens, talvez num parto eu esteja mais presente, agora eu gesto mesmo uma outra de mim um pouco mais ausente mais sóbria mais silenciosa mais solidão menos necessidade dos outros. Necessidade do outro mesmo. E medo. Medo de me machucar. Mas porque não machucar-me inteira, descer barrancos, negar-te o nada habitar a frustração? Não preciso saco de pão na cabeça, agora posso gritar com você de rosto limpo, quero bater cuspir demorei tanto para isso tantas besteiras por deus...
Ei, você, inserido em mim um tanto para doer, quer?
doa-se também.


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Freitag, Dezember 4

Beuys - rei.



'Eu quero criar um palácio real. Não para glorificar os velhos reis, mas para dizer que todos os seres humanos são reis. A dignidade de cada pessoa reside no fato de estar viva. Eu não estou satisfeito com a interpretação simples e materialista da vida. Na nossa época materialista, os elementos do mistério e da alma foram destruídos (...) e é por isso que eu embarquei nesse conceito antropológico, para tentar fazer com que as pessoas conscientizem de que elas são uma grande forma de vida e a expressão de suas almas.'
Joseph Beuys - como poderia esquecer-me de ti?

Onlan



Orlan e a loucura que a envolve - tirastes meus rins para um foie gras úmido e suculento,