Samstag, September 12

sobre a dor.

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Nas suas violáceas recostavam-se há tempos. Ela sempre separava um tantinho para as ir derramando ao longo do dia, mas sempre a roubavam, entao nao havia mais nem para o resto daquele dia nem nos próximos. Tentou pensar num jeito de espalhá-las aos poucos, sem tanto dano, devagar. Quando se deram conta da mazela, marcaram o seu braco com um aperto forte de mao e mandaram-na voltar para o lugar.
As pessoas ao redor ficaram sem as violáceas, e ela sem a oportunidade de dá-las aos outros, juntando um sem fim violetas endurecidas pelo resto daqueles dias,




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Montag, September 7

Em valsas.

Havia mel escorrendo da sua boca quando quis gritar. Pensou nas suas imagens e numa maneira de dissolver as suas águas. O que acontecia, essa estranha tristeza que sentia, a prendia num uniforme listrado cinza/chumbo. Ela quis fazer firula, chamar a atenção dos transeuntes, mesmo sabendo o rosto que lhe importava. Acendeu o cigarro e cantou devagar suas alegrias baixinhas, picadinhas de mosquitinhos no verão.
Já haviam se passado três horas de sua partida. Ela não entendia como conseguir viver naquilo 'inhos', pequeninas sensações estrondosas por dentro o peito, caixa que batia descompassada. Um coisa estranha aconteceu naqueles dias, e depois da despedida tudo ressoava, céu vento rosa-preto vibração no corpo e uma imensa vontade de pôr aquelas águas presas para fora. Não sabia de fato o que era isso de ser peixe nuvem algodão , fogo brasa mar coisas opostas dentro de um mesmo ser. Descobriu dar as mãos num segundo e sentir-se envolvida, milésimos depois ser arrastada para o árido que habitava grandes tempos.
Pegou delicadamente a dançarina e preencheu seus vazios valsando seus imaginários, templos instáveis de dor e prazer etéreo. Não conhecia seus rostos, guiava desconhecidos para dentro de si, estabelecia relações logo desatava os nós frouxos que os envolviam e caminhava a outros, passo vacilante e intoxicava um pouco o ambiente com risadas e brincadeiras. O passo rápido, fugindo de um algo que lhe tirava a dor dos calos dos pés.
Descobriu um nele que lhe jogou em desaforos e sinceridades. Ela aprendeu muito bem a lidar com esse de noites afio sem aquelas vozes.
E continuou sua valsa rumo a um lugar, uma terra do sem-nome, bem perto de seus calcanhares.

Samstag, September 5

In Black Big River

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Estou por essas terras violetas.
A cidade cheira sobremesas, delícias.
Os pais da Ilma sempre tem uma boa história para contar depois do silêncio.
O meu amigo se descola na cidade como um ser pertencente àquilo.
A minha companheira de cama diverte-se ao som das labambas.
E, certamente, olha para aquilo-isso aqui com olhar de surpresa e gratidão.
Estou gostando muito daqui.



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Donnerstag, September 3

indentificação projetiva

Então, um dia, Camila descobriu que precisava reaver os pedaços que tinha deixado nas pessoas ao redor. Camila foi saudando-as, uma a uma, com carinho no olhar e ferida na pele.
Aos poucos Camila espera recuperar-se dessa história de junção de fragmentos. Também sabe que haverão pedaços que não se reaverão nunca.
Mas Camila certamente aprenderá a viver com essas faltas.

Are baguandi!

Montag, August 31

Senhôr T.

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Então um dia, voltou ao vilarejo que lhe pertenceu outrora. Reviveu a história com o barro nas mãos e as lembranças marcadas no corpo. Viu - olhou de frente seu eu-pequeno, seu eu-alegria frágil. Deve ter fechado bem os olhos, suspirado um pouco e ter derramado umas poucas águas. Sentou-se nuns tocos de madeira ali de perto e pediu para que todos se afastassem um pouco, precisava reviver aquele menino machucado novamente. Longe de todos, encostou seu ouvido nas folhagens podres do chão e foi tombando o corpo devagar. Ficou imóvel uns instantes, sentia-se novamente enlaçado pelo calor firme e amoroso de sua mãe. Começou a sussurrar bem baixinho todas as suas recordações e tristezas à terra e ao vento. Dedicou ao vento as angústias e à terra todo o resto. Queria ser plantado ali, plantado bem-formado, sem nada que reste, atrapalhe. Reencontrou novamente a mãe dissolvida no vento, na água do poço e naquela terra fértil e vivida. Ouviu sua voz a lhe chamar todo fim-de-tarde. "T, lembre-se sempre, a água deve ser agitada e bem servida, ouviu? A água é alimento, deve ser buscada nas tuas necessidades lá no fundo, aquelas que nos bastam. A água não é torneira, não é depósito, não é coisa a ser comprada; exige procura, sedimento, plantação ao redor." Depois mais tarde ela lhe disse que saísse dali pois tinha feito do jardim um deserto árido
T nunca tinha entendido esse seu desespero com o mal-plantado verde, mesmo sabendo que aqueles ambientes cinzas não o pertenciam. Demorou um tempo, e T. resolveu semear novamente o que existia ali, e foi re-construindo a sua casa de antes, bem devagar,



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Sonntag, August 30

um outro.

Ao braço dele estava de pronto. Sempre nas suas falências, nos meus erros, nas nossas divagações, estávamos lá de braços unidos. Às vezes escorregávamos abismos, aflições e risos. Por ora sempre interlaçados por uma espécie de cordão umbilical-pensamento. Quando fomos afastados, percebendo-nos sós, o meu braço agitou-se muito triste, reclamando a presença do ser único. Ele fez drama e levou meu corpo todo a agitações e ações detestáveis da vida. Ele se fez frio e gelo alguns dias. Eu Camila corpo-sem-braço pedi para que ele voltasse a cuidar das minhas outras partes. Ele ficou intacto como algo sem vida. Eu pedi para que ele me lavasse inteira e me fizesse limpa. Ele empurrou meu corpo contra a terra, me fez abrir a boca devagar, empurrou uns vermes-terra pela goela e desenhou uma linha suave partindo do queixo até o umbigo. Percorreu o corpo todo vermelho-terra. Depois pediu minha licença e retirou-se um pouco. Olhei bem para o meu corpo demarcado todo linhas grossas e malfeitas. Quentura na cor e no toque. Umas partes respiraram bem fundo, outras contraíram devagar, quase tímidas. Ali, despojada dos meus braços, fui experimentar o tronco que restava. Rolava para todos os lados, mas não havia nada que me segurasse, me fixasse num ponto. Fiquei o tempo necessário para despertar. Meus braços pediram licença devagar e foram movimentando quase como um pêndulo. Agitados, vivos aos poucos. Ainda reclamavam da quentura dos braços, aqueles outros do começo. Disse então que não se preocupassem, iríamos procurar aquilo por outras bandas. Lembrei-os que o Sol imana calor infinito e diário todas as manhãs, principalmente as mais geladas.
Desde então, temos dissipado os gelos diários com o calor dos nossos toques diários.

Mittwoch, August 26

Sobre açougueiros.

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Aqueles bolsos de antes não cabiam mais aqui, sinto que de certa forma enfiei sacos vários de todos os tamanhos num buraco menor que uma cárie de dente. Olho as pessoas ao redor e simpatizo-me por suas histórias – por mais obscuras e irreais que possam ser para mim. O açougueiro, outro dia, olhou com os olhos graves para mim, e foi desfiando a carne devagar. É pulsão de morte isso de ficar dias e anos desfiando carnes, pesando-as, preparando-as para banquetes diários? O açougueiro seria assassino se a sua lâmina não cortasse as carnes dos animais? Às vezes imagino-me como uma grande vaca a ser demarcada e cortada. Esse dia quase pedi para que ele, cuidadosamente, usasse de sua faca para me fazer alimento. Farta estou dessas insanidades do pensamento, isso de me pensar fragmentos, áreas, limitações – isso de querer ser menor, uma agulhinha talvez, pontiaguda, a traçar as áreas menores desses sem-nome, dessas frações, frações e segundos frações e misérias. Deu me perceber bem menor que a bunda de um camelo pelo deserto, de habitar seu cu. Isso de construção a partir do engodo, a partir dessas minhas lascas marcadas a formão pelos meus dedos. Preciso contar ao mundo que existo, que posso riscar também, apesar de não estar afiada. Necessito do corte preciso de alguém por essas bandas, me chacoalhando, dando um tapa bem forte na minha cara.



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