Donnerstag, Dezember 10

Canção IX - um afago dedicado à mim mesma,


 rosângela rennó
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Tenho meditado e sofrido
Irmanada com esse corpo
E seu aquático jazigo

Pensando

Que se a mim não me deram
Esplêndida beleza
Deram-me a garganta
Esplandecida: palavra de ouro
A canção imantada
O sumarento gozo de cantar
Iluminada, ungida.

E te assustas do meu canto.
Tendo-me a mim
Preexistida e exata
Apenas tu, Dionísio, é que recusas

Ariana suspensa nas suas águas.

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à tumba.

Amém. Atrás de todos os deuses estou aqui e lhe imploro: saia de mim um pouco, não aguento mais essa afetação no meu peito, peço que me abandone, você sabe o que acontece comigo e com você, porisso peço novamente, deixe-me um pouco a sós, eu não suporto mais ver você e a minha fraqueza em dizer-lhe minhas boas novas meu medo em gritar o acontecido em mim esses tantos sentimentos que me povoam pés e cabeça e arrepios dor prazer por favor, esqueça-me um pouco, esquecer-me-ei olhares no espelho e a ti darei meu luto, dedicar-lhe-ei meus póstumos epitáfios plantarei capins emvolta de mim para poder pastar a vaca o boi e a galinha ciscar. Terás proximidades e o azul-claro do céu nunca entrará no meu caixão por ter quilos de terra sobre o meu corpo.

Mittwoch, Dezember 9

sacos e pães


                                                                    diane arbus

Os sacos de pão na cabeça inspiram-me agora algumas poucas fracas palavras talvez elas grudem um pouco sejam difíceis de limpar, está bem, lhes darei fôlego.
Justifiquei meu mal para um assassino - devolveu-me as pedras, ensinou-me a fingir um pouco, há, gargalhei e saí correndo. Cansada fiquei e recostei numa pedra cinza-chumbo fodida de linda fechei os olhos um pouco irritada estava queria moer as goelas daquelas tagarelas voz de sabão escorregadio e chato. Alguma coisa mudou - constatei. Queria ir pra casa, compreendi o que mamãe sempre me falou: fica quieta no canto pra não ter de engolir desaforo. Não tenho medo de desaforos mas é o cansaço mesmo, sabe? E a vontade imensa de escrever e embalar-te nos seios coragem para muitas outras coisas é preciso, coragem em relação ao outro. Agora escuto e uma ponta de inveja, desço e deito mais o corpo na pedra, cabeça nas nuvens, talvez num parto eu esteja mais presente, agora eu gesto mesmo uma outra de mim um pouco mais ausente mais sóbria mais silenciosa mais solidão menos necessidade dos outros. Necessidade do outro mesmo. E medo. Medo de me machucar. Mas porque não machucar-me inteira, descer barrancos, negar-te o nada habitar a frustração? Não preciso saco de pão na cabeça, agora posso gritar com você de rosto limpo, quero bater cuspir demorei tanto para isso tantas besteiras por deus...
Ei, você, inserido em mim um tanto para doer, quer?
doa-se também.


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Freitag, Dezember 4

Beuys - rei.



'Eu quero criar um palácio real. Não para glorificar os velhos reis, mas para dizer que todos os seres humanos são reis. A dignidade de cada pessoa reside no fato de estar viva. Eu não estou satisfeito com a interpretação simples e materialista da vida. Na nossa época materialista, os elementos do mistério e da alma foram destruídos (...) e é por isso que eu embarquei nesse conceito antropológico, para tentar fazer com que as pessoas conscientizem de que elas são uma grande forma de vida e a expressão de suas almas.'
Joseph Beuys - como poderia esquecer-me de ti?

Onlan



Orlan e a loucura que a envolve - tirastes meus rins para um foie gras úmido e suculento,


no corpo o poeta.

O poeta está lá jogado às traças, sombra de sua própria revelia. Espanca-se num gesto auto-indulgente achando espantar monstros internos bate forte na máquina não aguenta - acende outro cigarro - 'estapafúrdias tolas essas tenho de tricotar bem forte palavras trama dura e concisa para lacear poucos durar alguns bons anos.' Fez-se boba a visita que recebia de sua amiga/amante lhe disse em seguida: 'corroer memórias tudo bem meu querido o que eu te desejo na verdade é um dedo afunilado sabe essas tensões que nos jogam lá e cá e derepente mar fundo nem um pouco calma ela se esvai, não preciso não quero confiar nela mestre dos indesejados comidos ela ataca coração e cérebro minha vagina dói muito agora fui estuprada por você todos esses anos entraste na carne pele áspera nem gozar gozou só queria choro e arrependimento mas você se arrependeu de sentir prazer? Você e o prazer e o arrepender é isso poesia? Por favor me tire daqui, não suporto esse amoltoado palavras entrando feito flecha rasgos demonios rasgam gemo um pouco e paro - quem? Ruídos sinfonias poucas talvez ele rompa meu sucesso talvez seja um engano e você saia antes do amanhecer engano de anos inocente revés de vários partos arrumo o quarto da família que morreu - uma, duas, três inúmeras vezes.'
Ela disse: quero ser entendida preciso desse respiro teu - nada sofres menina, volta pra casa, lá é teu lugar. Menina teimosa que era, persistiu no erro - preciso fiar meu destino, parcas às favas o que acontece errado? Percome fantasias junto os avessos pontos dos lencóis o que você deseja? Fodes depois lava os lençóis até mais querida, não me leve a mal... Criar pontes no vácuo espero que esteja lendo essa porra desse tratado vazio sobre fazer a travessia do nada, vês que insisto na travessia? Como é isso de sentir buracos no estômago morrer dos dias cotidiano e desgaste.
Estou indo para o outro lado, não me esperes, olhe um pouco mas depois abaixe a cabeça, não tem de quê rapaz agradeço a ti também, não leve-me mal é necessário, não mais essa palpitação e faca na garganta entalada, preciso expulsar as gentes que existem nessas minhas inúmeras dobras tantos me habitam, por favor, deixe meu barco ir na direção de, rompa esse nó no cais, desobrigada estou dessas tuas exigências, não, não, por favor, isso é compulsivo eu sei obcessivo nós somos porém estou farta dessa escrita elegante e exigente estou no raso ainda vejo alguns peixes bonitos mais lá no fundo preciso ir buscá-los, ter com eles um segredo. Ampara-me, empurra-me, preserve-me da morte d'alma mate meu corpo se quiser, prisão doentia essa quero viver em ti co-existir conhecer-te. Conhecer saber o corpo do poeta amante poesia é sexo prazer pêlos na boca também?



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Donnerstag, Dezember 3

ao objeto amado,

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talvez seja bem verdade e aceito isso de separacao eu e ti - és-se, sou-te, tu me és.


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prefiro virgulas a pontos de fim. Nåo posso querer dar fim a algo que é decisåo da vida.
respeito e aceito - chega maos nos bracos, clarice pediu em seu evangelho nåo solta minha mao. Agora é a hora de saber andar sem muletas, experimentar o nücleo. és um dos mais amados, ressoa ainda voz risadas e olhar amor sincero. Me amas silencio eu te amo escuro fé menos bem menos desespero. Visitando agora os seus quartos na minha memoria, esvaziando-os, reservo um lugar especial para voce, o resto jogarei fora preciso relacionar-me outras pessoas. Despedida nao, aceno, tchau vou para uma grande travessia






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