Montag, November 23

Quanto à Ti...

Agradeceria aos muitos instantes e cobraria uns poucos mais. Uns nos bolsos do outro, enlaces e verdades não-ditas. Tudos em nuvens nuvens povoadas várias camilas situações-camila. Formalidades não tenho, posso lhe ofertar minhas nuvens muitas coloridas a serem compartilhadas, pisadas pés descalços desmanches incertezas construções castelos habitando o ar.




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Quereria eu escrever coisas poucas, um pouco mais suave a vida encarregando as nossas vias todas, não importar-se tanto a dor de mim mas a dor dos outros. Quereria renegá-la ao abismo dizer - 'não estou mais aqui, encontre-me em outros lugares.' Na verdade lhe disse isso uma vez, a dor instalada na pele superfície porosa e eu inocente que era dei de mãos aos céus, agradecida. Esperta que era, deu de voltas uns tempos e achou outro lar para habitar, agora mais profunda. Profundo também era o lar, repleto de nichos e lugares - instalações férteis enraizadas estar por todo o tempo sem respiros lugar quente sol árido perpétua vastidão essa que me assola.
Discutiria as minhas dores menos, se um dia as tivesse feito minhas de fato. O incômodo não é pouco, por deus, cortar assim laços tão estreitos risadas tantas compreensões por olhares, toques, por-vir um sem número de relações construídas ferro fogo queria que estivesse aqui observando as mãos enlaçadas as minhas súplicas as coisas por serem ditas. Pau na mesa - cansaço, você disse, cansaço - exige fala e corpo. E tantas vezes quis isso, você bem sabe, o  eu queria uma conversa extensa cansativa e risonha - de quem compreende que os infinitos do outro duram bem mais de meia hora e meia dúzia de palavras ao ventilador. A reconciliação é conosco mesmo. A briga é com a gente.
 Esbravejei muito esse tempo agora realmente a distância reinvidicada é o melhor que temos entre a gente. Como dizem - muita lama entre as relações, quanto mais essa. Acertar os pontos com a escrita, é o melhor que tenho agora. Bem sabe você, conhecendo-me melhor que muitos.
Queria lhe dedicar músicas melodiosas a serem cantadas sóis e vento, mas não consigo. Penso em marchas compassadas velórios a te ofertar




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Mittwoch, November 18




( Pim - Consentimento da dor. )



Vontade sincera essa deve ser ver o corpo suporte de dor voluntária, ajudar nos preparativos, antecedentes, montar a maca do agonizo leve, vários traços pouco densos uns mais fortes - sangue que esvai. Primeiro sentou-se de leve, mãos apoiadas no corpo, olhos brilhantes e graves - pois sabia o que viria, e sabendo, fez-se sombra. Realmente, o que me impressionou era a vontade e força contida naqueles olhos - nenhum momento titubeou apelou aos céus inferno caiu num buraço poço de lamúrias agonia. Fez silêncios, marcou seus passos, preparou a cena. Tirou os farrapos, vestiu-se preto necessário e foi ter com as suas vozes, consciências, partos, cirurgias, medo, pulsão, morte e vida. Deitou-se leito de cama - livrai-me senhor dos atoleimados! - esfregou os últimos resquícios de luz e deixou-se marcar vermelho-sangue. Tal qual placa de cobre, abrir rastros de escuridão por sobre a claridade - ofício maldito este. Garganta um pouco seca, carne viva oferecida aos gentios, o corpo imaculado profanado, habitar de demônios - um sorriso de canto, um corte paralelo. Gemidos poucos, fez-se sudário também; o tecido embebido de assepsia cheiro de pecado, perigo. Maria madalena esfreguei seus suores de sangue, contornei suas tristezas poucas com um pouco de veneno pingado na pele - porque o veneno diz querenças, mortes, a pele sufocada. Carne trêmula, navalha na carne, desenho tirado à força, raspado, cortado, detalhado - mãos de assassino essas que me tocam por deus, mãos que pousam e mãos que marcam - carícias supremas, o correr da navalha na minha carne, sua carne que se fez minha, apropriação, projeção de um eu existente pouco na vida, eu ansioso por participar desses novos luxuriosos da vida, toque penetração a lâmina e eu. Esfrego um pouco de sangue nos lábios, bergman disse-me uma vez 'são mentiras, todas mentiras...' Nosso próximo gozo será em meio à cacos, feridas expostas, sadismos, palavras cruas, prazer violência sutil



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Montag, November 16

giacometti - para Ti,






A beleza tem apenas uma origem: a ferida, singular, diferente para cada um, oculta ou visível, que o indivíduo preserva e para onde se retira quando quer deixar o mundo para uma solidão temporária, porém profunda. Há, portanto, uma diferença imensa entre essa arte e o que chamamos miserabilismo. A arte de Giacometti parece querer descobrir essa ferida secreta de todo ser e mesmo de todas as coisas, para que ela os ilumine.







JEAN GENET, O Atelier de Giacometti

Montag, November 9

depois,

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deixar-se invadir tal qual navalha cortes na carne, descontroles. Não há espaços para fugas, perdas do controle, estar ali e derepente estar em outros lugares, sensações, sonhos amultuados é isso mesmo, essa escrita obsessiva e repetitiva, bater sempre nos mesmos pontos, não assumir o que está mais embaixo, está sob seu nariz,linda linha contínue anda traços soltos agora um desconforto na pele, talvez não goste mais de habitar esses fracassos, talvez queira um pouco rir da vida. Não há espaços para elucubrações essas paixões repentinas sintomática - falam dos deuses todos, esquecem da respiração que cria um próprio deus habitando todas essas marcas seu pulmão sujo gás lacrimogênico sujeiras imensas facilidades... facilidades. ambições, praticidades, o pé batendo suave no asfalto, milhares de bolsos. Esquecer-se de viver essa parte amarga narrativas em terceira pessoa para quem?
falo aos poucos amoras selvagens e dispersas talvez estrague um pouco os relacionamentos sufoco o tempo perdido o tempo que se perde nas coisas - demora, situações limites, estar um pouco é conveniente, não mais que isso. exigir o tudo da pessoa - até estragar...?
estar sempre, estar inteira, colher os frutos verdes e deixá-los podres ao toque. juro juro não querer isso, não querer não é não fazer. estar sempre fraca é um saco

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Freitag, November 6

cansaço

Parece que estamos todos muitos sós, é preciso que criemos outros a partir das costelas. As nossas costelas criam constelações e aí nos jogam no hospício e nos enchem de remédios. 'Pára, minha senhora! Arranjemos macacos e pensamentos para você, espera um pouquinho só'. Eles fizeram-me criar o mundo a partir do nada, então desmoronei meu corpo e vi minhas costelas pulsando, sangue dor os meus dedos tocando os outros dentro de mim. Criei companias imensas 'Não é bom que o homem esteja só' ordenaram lá de cima. O Outro quis costelas muitas reproduzidas.
Companheiros nascem da costela e do ânus, o buraco negro. O cu as constelações eles não querem crer que existam ali. 'Pensamentos, querida'. Tá, eu entendi.
Fiz bagunça com o cu e a existência das costelas. A criação, Deus e o cu. Novamente, herege remediada por todos os pensadores e cientistas. Quando explicando da teoria, fizeram-me calar a boca, 

'que pobreza por Deus...'

Donnerstag, November 5

Apagos

Pôr um texto abaixo reescrevê-lo depois, preocupar-se com os tons nuances gramática estar esquecida do ofício tentar um abajur na floresta. Estive por esses dias lá na serra, colhi bons frutos durante minha estadia nesses lugares, lugares todos esses habitados nos meus todos anos - frutos colhi, repito. As catarses acontecem raramente, mas marcam. Estive num blockbuster acesso de raiva e aí pus tudo água abaixo - aconteceu, é verdade. Na escrita a gente tenta tocar um algo que a fala truncada, rimos, rastros de primavera não deixam. É fácil ver as pessoas não desencadearem nada, um máximo é gritar roco e risos depois - sinto-me útil em comunicar-lhes isso. Não basta pensar bonitezas, vivências muitas, mastigar e pensar 'não vivi isso, mas por deus!'
O trabalho é mastigar e engolir o vômito, não deixá-lo transbordar. Quem transborda o vômito carece. Engolir seco, vertigem, sentir abrir buracos no chão e quedas, fechar os olhos redemoinhos distâncias perder referências suor frio, enxaqueca ouvir a dor dos outros como quem vive a própria - sentir o estupro do outro. Boca seca medo de sair de enlouquecer de enfartar (loucura: queda abrupta buraco negro sem fim. Estar caindo todos os dias e não ter chão para pisar );
Para entender poesia se faz necessária a entrada na narrativa estômago socos e uma pele carcumida. Ler suspirar armar rasgos elogiosos tudo bem. Eu queria vocês todos neste lado, caindo também.