Dienstag, August 11

De novo

Dostoiévski.

Mas essa é para justificar minha risada escambalhafatosa:

"Conhecemos um homem pelo seu riso; se na primeira vez que o encontramos ele ri de maneira agradável, o íntimo é excelente."


.

Percebendo.

nada disso aqui.

nessas últimas semanas, dores de cabeça e um enjoo insuportável.

pensei bastante no que tem acontecido comigo e com as pessoas.
nas mudanças,
e como eu fico feliz de perceber certas coisas se movendo,
mesmo que doa,
que sangre.

As peças se encaixam, a gente querendo ou não.
Jesus diz: deixe que os mortos enterrem seus mortos.
A Irmã Graça diz: no fim é Deus conosco (a água tem que fazer bem para o coração)

Não sei ainda aonde estou chegando, mas pressinto algo muito bom.
Dostoiévski diz: "Podem ter a certeza de que não foi quando descobriu a América, mas sim quando estava a descobri-la, que Colombo se sentiu feliz."


Parece que esses pressentimentos alegram a família há gerações... hehe


.


nada que não desfalecesse,
nem não cegasse pelo excesso de luz.

Sempre varios sóis e caminhos nos arredores,



"Não, van Gogh não estava louco, mas suas telas eram jorros de substância incendiária, bombas atômicas cujo ângulo de visão, ao contrário de toda a pintura com prestígio na sua época, teria sido capaz de perturbar seriamente o conformismo espectral da burguesia do Segundo Império e dos esbirros de Thiers, Gambetta, Félix Faure, assim como os de Napoleão III. Pois a pintura de van Gogh ataca, não um determinado conformismo dos costumes, mas das instituições. E até a natureza exterior, com seus climas, suas marés e suas tormentas equinociais não pode mais manter a mesma gravitação depois da passagem de van Gogh pela Terra. Tanto mais razão para, no plano social, as instituições se decomporem e a medicina parecer um hediondo e imprestável cadáver que declara louco a Van Gogh. Diante da lucidez ativa de van Gogh, a psiquiatria nada mais é que um antro de gorilas obcecados e perseguidos que só dispõem de uma ridícula terminologia para aplacar os mais espantosos estados de angústia e asfixia humana, uma terminologia digna dos seus cérebros tarados. Com efeito, não existe psiquiatra que não seja um erotômano declarado. E não creio em exceções à regra da inveterada erotomania dos psiquiatras." - Antonin Artaud.




E que os mortos enterrem seus mortos.

Samstag, August 8

Aqui em casa a gente tem um cachorro que queria ser passarinho.
Ele fica o dia inteiro a brincar com esses seus companheirinhos. hehe.

O outro queria ser vaca. Mas acabou por ser pastor de rebanho.
Os dois cachorros andam juntos e um interfere na brincadeira do outro,
sem grandes questões.
São companheiros.
Tem um que sempre se enfia na frente do carro quando temos que sair.
O dos passarinhos faz isso.

Vontade de vomitar nisso tudo,
vomitar nessa minha história mal-resolvida com a minha família.
Estrangular a minha avó, as minhas tias do passsado.
È muito amor transformado em ódio.





Daqui apouco é meu aniversario.
Desejo todos os queridaos reunidos comigo e com a mirna.
Só queridos,
nada de convidados pró-forma.

Saudades de voces todos.

Samstag, August 1

Mãe do caralho.

Devo minha vida à minha mãe.
Ela me manteve viva.
"Levanta menina! Sai daí!"

Pessoa forte, consciente.
Mulherzão do caralho.
Sem frescuras, sem nhém nhém nhém.
Bate de frente, com uma delicadeza firme.
Que derrete e põe o outro para pensar no seu lugar,
e não deixa espaço para arrogância, orgulho.

A minha mãe revela e cura.

As minhas origens, o meu Pai.

Lembro do meu pai caminhando por entre a terra no sítio.
Do meu avô com o chapéu indo colher verduras na horta para o almoço.
A delicadeza ao pegar as folhas, preparar, cozinhar, arrumar, sentar, comer.
Um ritual.
O vinho caseiro da adega no porão. As pipas imensas cheias de vinho e pinga.
O amor, a dedicação contida naquilo tudo.
O macarrão feito na hora.
O jeito duro e ao mesmo tempo amável de ensinar. A gente fica nuns lances de achar que o outro reprime mas no fundo é só brilho nos olhos e um imenso carinho.
Depois de conhecer meu avô passei a amar meu pai e admirar a maneira lenta e digna de tratar a comida, os objetos ao redor. A vocação para monge. Meditar.
Dei mais valor à raridade que tenho em casa. A minha origem rara.
Vontade de abraçá-lo e apertar seu nariz (ouvindo ele reclamar que odeia que apertem o seu nariz).
"Tu não desceste da cruz quando gritavam, zombavam de ti, 'Desce e acreditaremos que és Filho de Deus'. Não desceste porque não querias escravizar o homem pelo milagre e só desejavas uma fé espontânea."

Os Irmãos Karamazov - Dostoiévski.


Re-revendo, re-revivendo minha espiritualidade, meus conceitos, meu cristianismo. Aprendendo a acolher esse lado, essa minha origem.
Olhando para meus pais, a história deles, os dramas de cada um. Os meus avós também.
Dostoiévski está me fazendo muito bem. A história dele é fantástica e o livro também. Apaixonadíssima por isso.